
Sempre gostei de bonés. Mas usava raramente. Faz uns quatro meses, comecei a usar com mais frequência. Para meu espanto, passei a ser perseguido. Explico: alguns coordenadores e vários outros professores passaram a me reprovar alegando que não pega bem dar aulas de boné.
Confesso que tentei analisar cada um dos pareceres supracitados. Mas, por mais que eu me esforce, não consigo captar raciocínios tão complexos. Eis minha contra-argumentação aos meus destratores:
Boné não é coisa de marginal. Se pensarmos assim, abandonemos as bermudas, os chinelos, as cuecas porque marginal também usa tais peças. E a única coisa que eu tenho a esconder na cabeça são alguns poucos fios grisalhos que tentam povoar a mata predominantemente preta. Quanto ao outro argumento, não entendi por que boné não tem a ver com a profissão. Quem decide isso? Baseado em quê? E tatuagem? E brinco? E piercing?
Mas o pior argumento foi, sem dúvida, o da perda de credibilidade. Coméquié? Minha aula é pior por que eu uso boné? Se eu explicar as regras da crase com boné vai ficar mais complicado para o candidato entender? É isso? É impressão minha ou ainda defendem a ideia tosca de que vale julgar um livro pela capa? Isso me lembra alguns muitos eleitores de Collor, dizendo que ele era mais “apessoado” que o barbudo Lula. Na boa, se alguém desiste de assistir à minha aula porque eu estou de boné ou acha que vai aprender menos por isso, esse ornitorrinco não merece ser aprovado num concurso. Vade retro!
Quem, de fato, está precisando arejar a cabeça nessa história?

.jpg)



