
Hoje, um acidente envolvendo sete carros, na Ponte Rio-Niterói (sentido Rio) provocou um monstruoso engarrafamento na cidade de Arariboia. Nenhuma novidade, certo? Acidentes na ponte, infelizmente, são comuns. E engarrafamento em Niterói é redundância. O que causou estranhamento foi o apelo do secretário de trânsito de Nikity, Sérgio Marcolini, sugerindo que o cidadão niteroiense pare de usar seu carro e recorra à travessia da baía de Guanabara via barca.
Em primeiro lugar, gostaria de saber se Vossa Excelência usa o serviço oferecido pelas Barcas S.A. Usa? Sabe o que é isso? Já enfrentou, pelo menos uma vez na vida, uma fila básica de trinta minutos para conseguir acessar à estação e lá suar feito frequentador de sauna? Já ficou feito bicho, todo espremido atrás de uma corda aguardando a liberação para entrar na embarcação? Já imaginou essa rotina de segunda a sexta?
Em segundo lugar, gostaria de saber se o acesso ao centro de Niterói, onde está a estação das barcas, ficará livre. O cidadão que mora no Fonseca, no Barreto, em Icaraí, no Ingá – bairros próximos ao Centro - chegará, utilizando transporte público, em quanto tempo à estação das barcas? Dá pra imaginar a situação: troca-se o carro por um ônibus que vai passar sabe-se lá quando, lotado, deixando o cidadão no “aprazível” terminal rodoviário. Uma caminhada de dez minutos, uma fila de trinta... que beleza! Vossa Excelência faria isso? Diariamente?
Em terceiro lugar, gostaria que Vossa Excelência me respondesse o óbvio: o que falta para que as barcas criem uma linha direta para São Gonçalo? Hum... isso melhoraria muito a situação, mas... mas... Seria interessante Vossa Excelência explicar esse “mas”, não? Enquanto não rola uma explicação, vou fazer uma suposição: as empresas de ônibus que fazem o trajeto Niterói-São Gonçalo ou Qualquer Lugar do Rio-São Gonçalo concedem uma generosa verba à prefeitura – além de financiarem a campanha do prefeito e de alguns vereadores – a fim de garantirem que a linha direta das barcas Praça XV-São Gonçalo não acontecerá. Será?
Seria bom se nossas autoridades, antes de dizerem asneiras, dessem exemplos. Fácil pedir que o cidadão deixe o seu carro em casa. Fácil repassar a responsabilidade. Fácil fechar os olhos para o óbvio.
Difícil é oferecer transporte público de qualidade (se isso existisse, apelos idiotas como o seu, secretário, seriam desnecessários). Difícil é combater a máfia das empresas de ônibus. Difícil é planejar para não ter que remediar.





