
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Fenomenal!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Pedra e Vidraça

Em meados do ano passado, almocei com um amigo, que é professor de Direito Previdenciário. Ele me falava, em tom de protesto, sobre o absurdo que é nosso sistema de aposentadoria. Discorreu sobre o assunto usando bastantes termos específicos, o que não me impediu de entender que, no Brasil, pouquíssimos gozam de uma aposentadoria nababesca enquanto muitos recebem uns caraminguás depois vários anos trabalhados e boa parte do salário descontada. Foram marcantes na nossa almeitiga (dicionário!) tanto a ilogicidade do sistema de aposentadoria brasileiro quanto a veemência com a qual meu amigo se manifestou, discordando de toda a engrenagem que envolve a estrutura previdenciária.
Pois muito bem. Esta semana, voltamos a almoçar. E ele me disse que, desde outubro passado está saindo com alguém. Sendo mais específico: ele está saindo com uma mulher rica, moradora do Leblon... e beneficiada pelo sistema que ele tanto critica. Criticava! Não sei os detalhes, mas parece que ela é filha ou ex-esposa de militar, sei lá, o que sei é que ela recebe, sem esforço algum, algo na casa dos R$ 8.000,00 mensais. Meu amigo não paga a conta quando os dois saem juntos. E, em momento algum do nosso encontro, repetiu o tom do penúltimo almoço. Por que será?
Carlos foi meu colega de faculdade. Nos anos 90, chegou a se candidatar a vereador por São Gonçalo. Recebeu uns 100 votos. Lembro-me que ele dizia que iria lutar pela implantação de uma linha das barcas ligando a Praça XV a São Gonçalo. Os moradores dessa cidade poderiam chegar mais rápido às suas casas se não precisassem passar por Niterói.
Pois muito bem. Reencontrei o Carlos. Ele é proprietário de uma loja num shopping que fica entre a estação das barcas, em Niterói, e o terminal rodoviário utilizado pelos passageiros que moram em São Gonçalo. Perguntei a ele se seria uma boa uma linha direta da Praça XV até São Gonçalo. Ele disse: “Deus me livre, isola, toc, toc, toc.!” Por que será?
Sempre fui contra a carteirinha falsa de estudantes. Já disse aqui nesse blog, várias vezes, que fui alvo de piadas ao recusar fazer uma carteirinha para mim. Em todos os locais onde trabalho, alunos e professores fazem, sem qualquer dificuldade, o documento que lhes garante 50% de desconto nos cinemas, teatros e afins. Mês passado, a coordenadora de um dos cursos em que leciono me pediu uma foto 3x4, alegando que serviria para “atualização de cadastro”. Entreguei a foto a ela. Esta semana, ela me deu uma carteirinha de estudante. Na frente de todos os funcionários. E disse: “Quero ver você jogar fora. Vai continuar pagando inteira?” Provocação! Como quem quisesse testar minha integridade moral. Pensei em fazer um discurso moralista; desisti. Cogitei esfregar a carteirinha “na cara dela”; recuei. Aventei a possibilidade de, em silêncio, destruir o documento; desencorajei.
sábado, 8 de janeiro de 2011
É fato ou é foto?
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
O inferno são os outros 2 - A saga continua

Pense num cão latindo. Não, assim não! Mais alto e mais forte! Pense num cão desesperado. Feroz! Latindo. Pensou? Agora, multiplique o som que você imaginou (abstração) por cem! Conseguiu? Concebeu? Pois foi assim que ocorreu no prédio onde moro. De madrugada! A noite toda! Por quê? Simplesmente porque os donos do cachorro – que cachorrada! – viajaram. Enquanto eles se divertem em algum canto, nós fazemos uma vigília por aqui.
- Coitado do cachorro!
Perguntei a ela:
- E eu? Você está com pena de mim também?
- Como assim?
- Você está mais triste pelo que aconteceu com o cachorro ou pelo fato de ninguém no prédio ter dormido?
- Meu filho, você já parou para pensar no sofrimento do bichinho?
- Minha filha, você já parou para pensar no sofrimento dos moradores?
- Como assim? (Juro que parecia provocação esse inferno de “como assim”)
Tentei, em vão, fazê-la enxergar o óbvio:
- O animal sofreu, mas os moradores sofreram mais, você não acha?
- Claro que não!
- A dor da angústia da saudade é maior do que a dor de uma noite mal dormida!
sábado, 1 de janeiro de 2011
O inferno são os outros

domingo, 28 de novembro de 2010
A violência que você não vê na TV!

Milhares de leitores me cobraram um texto sobre a guerra no Rio. Ops! Escrever “Milhares de leitores” é uma forma delirante de iniciar um post. Vamos recomeçar! Inúmeros leitores me cobraram... ops. “Inúmeros leitores” soa pretensioso. Na realidade, três pessoas me cobraram um texto sobre o assunto que não sai da mídia: a guerra ao tráfico no Rio. Em atenção a esses três seguidores que não têm nada de interessante para ler e insistem em perder tempo aqui, manifestarei a minha opinião.
A causa do problema não está nos maconheiros, nem no atual governo, nem no filme Tropa de Elite, nem na Globo... nem nos mais variados culpados apontados pelos especialistas de plantão. Nada disso! Há dois aspectos determinantes que, se combatidos, minimizariam bastante o problema: um diz respeito à polícia que se associa ao tráfico; o outro se refere ao descaso do Estado com sua gente.
A questão da corrupção policial é ampla, extensa, profunda e séria. Muito séria! Paga-se mal a quem deveria responder pela nossa segurança. Mas isso – todo mundo sabe – interessa a quem pode subornar um “homem da lei”. Se os policiais não se corrompessem, a elite do Brasil estaria na cadeia. Estou generalizando, óbvio. Mas, enquanto a banda podre da polícia tiver o contingente que tem, ações como as que vimos esta semana (invasões em favelas) e planos como as UPPs serão apenas paliativos, além de espetáculos para a mídia e bafejo eleitoral.
Ademais, remediar sem prevenir só empurra o problema para frente. O que vai acontecer depois que a onda de terror cessar e a polícia triunfar nas favelas invadidas? Vamos voltar à nossa rotina, é claro. Alguém aí falou em projetos para educar essa gente que é tratada como indigente? Algum “especialista” na área mencionou um plano para oferecer condições decentes de vida a quem está encravado na favela? Se o Estado trata gente como bicho, é como bicho que essa gente vai se comportar. Sonegando-lhes direitos básicos como educação, saúde, trabalho e fechando os olhos para a absurda taxa de natalidade nas camadas mais pobres da população, não dá para esperar um resultado diferente do que temos hoje.
Se é verdade que o fato de ser maltratado, ignorado e desprezado não justifica debandar para o lado do crime (são inúmeros os exemplos de gente honesta nas favelas), não é menos verdade que um Estado que explora, tortura e oprime sua gente é MUITO MAIS CRIMINOSO que a maioria dos executados e presos de que temos notícia.
domingo, 12 de setembro de 2010
Você vota neles? Então você os apoia e os aprova!

